Obra de consulta
Glossário
Os 50 termos do vocabulário regulatório e técnico da inteligência artificial aplicada à saúde, definidos em português — do que uma norma chama de alto risco ao que um fabricante quer dizer com acurácia.
O glossário define palavras. O Mapa afirma fatos. Nenhum verbete aqui carrega data de vigência, artigo de lei como afirmação nem estado de norma — quando a definição precisa disso, ela aponta para a linha correspondente do Mapa Regulatório, que é onde vivem a data de acesso, a ressalva e o link para o documento original.
A restrição é deliberada e tem consequência prática: um glossário escrito do jeito natural — cada verbete contando o que a norma exige, com artigo e data — envelheceria junto com a legislação, em cinquenta pontos ao mesmo tempo. Este envelhece em 18 linhas, que é onde alguém já reabre os documentos.
Cada verbete tem endereço próprio e permanente — /glossario/#alto-risco — e
pode ser citado sozinho. O glossário é publicado sob a mesma licença do Mapa,
Creative Commons BY 4.0: pode ser usado com crédito.
Como este site trabalha
O vocabulário do método — o que torna o Mapa auditável por quem não participou de nenhuma decisão.
- Mapa
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O conjunto das normas de IA em saúde que uma pessoa desta casa abriu no documento original e reconfere periodicamente. Tem teto declarado: quando enche, incluir uma norma exige tirar outra, e a troca fica registrada.
- Panorama
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A figura que mostra o que existe além do Mapa, inclusive o que ainda ninguém leu. Existe para que o branco do desenho não seja confundido com ausência de norma — não varremos o mundo inteiro, e isso precisa estar visível.
- Linha
-
Cada norma do Mapa é uma linha, com endereço próprio e permanente. É o que permite citar uma exigência específica em vez do site inteiro — e uma linha publicada nunca é removida, porque o endereço dela pode estar na nota de rodapé de outra pessoa.
- Asserido
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Estatuto de uma linha cujo documento original foi aberto e lido por uma pessoa, com a data dessa leitura registrada. É o único estatuto que entra no Mapa.
Ver também Data de acesso Mapa
- Candidato
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Norma que sabemos existir e que ninguém desta casa abriu ainda. Aparece no Panorama com os campos faltando à vista, e nunca no Mapa — porque "achamos que exige" e "lemos que exige" são afirmações de naturezas diferentes.
- Fonte primária
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O texto oficial da norma: o diário, o portal do legislativo, a resolução publicada pelo órgão que a editou. É o que se abre.
- Fonte secundária
-
Qualquer relato sobre a norma que não seja o texto dela — notícia, alerta de escritório de advocacia, resumo de consultoria. O Mapa aceita quando o texto oficial não está acessível, mas marca na tela, porque a diferença entre ler a lei e ler sobre a lei é a diferença que este site existe para preservar.
Ver também Fonte primária
- Data de acesso
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O dia em que uma pessoa abriu aquele documento. Não é preenchida por máquina de propósito: um robô que escrevesse este campo o transformaria em decoração.
- Conferido desde
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O selo do Mapa, e ele recua até a linha conferida há mais tempo. É conservador por desenho — diz o pior caso, nunca a média.
Ver também Data de acesso
- Vigência
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A data em que a norma passa a valer. Enquanto é futura, o site conta os dias; quando é condicionada, a condição aparece junto — data condicionada exibida sem a condição é promessa, não informação.
- Ressalva
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O que ainda pode mudar naquela linha: um recurso pendente, um prazo de referendo aberto, um texto oficial que ainda não localizamos. Existe porque silêncio sobre incerteza conhecida é a forma mais barata de errar.
- Obrigado
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Quem responde pela exigência. É o campo que revela a divergência entre jurisdições: a mesma exigência, três continentes, três responsáveis diferentes — e é a divergência, não a convergência, que é notícia.
- Jurisdição reguladora
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A unidade do Mapa não é o país, é quem edita a regra. A União Europeia são vinte e sete países sob uma norma; os Estados Unidos são um país com dezenas de normas que se contradizem.
- Teto do Mapa
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O número máximo de linhas que o Mapa aceita. Não existe porque haja só isso no mundo, mas porque cada linha é reaberta no documento original por uma pessoa — e o teto é o número que uma pessoa sustenta. Um mapa maior seria uma promessa menor.
Os seis tipos de exigência
Os seis códigos com que o Mapa classifica o que uma norma exige. A lista é fechada: exigência que não couber em nenhum deles obriga a rever a taxonomia, nunca a forçar o encaixe.
- Decisão humana
-
A máquina não decide sozinha — há revisão ou responsabilidade humana no ato. É o código mais comum do Mapa e também o mais enganoso, porque quem precisa decidir muda completamente de uma jurisdição para outra.
- Dever de informar
-
O paciente, ou quem recebe a comunicação, sabe que houve inteligência artificial no caminho. O que varia entre as normas é se o aviso é sempre obrigatório ou se a revisão por um profissional o dispensa.
- Risco e registro
-
Classificar o sistema por nível de risco, registrar, certificar ou notificar a autoridade. É a família que trata IA como produto sujeito a controle sanitário ou regulatório, não como ferramenta de uso livre.
- Governança
-
A instituição responde: política interna, comissão, inventário dos sistemas em uso, auditoria. Desloca a exigência do ato individual para a organização que o permite.
- Proibição
-
Uso vedado, ou restrito a ponto de equivaler a veto. É raro, e por isso é notícia: alguém decidiu que naquele ponto nem a supervisão humana basta.
- Capacitação
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Formar e manter a competência de quem opera o sistema. É a mais silenciosa das seis, porque não gera tela nem documento — gera treinamento, e por isso é a que mais escapa de auditoria.
Quem é obrigado
Sobre quem a exigência recai. É o eixo que muda de jurisdição para jurisdição enquanto a regra permanece a mesma — e é a notícia que só aparece quando se lê os textos.
- Médico
-
O profissional, individualmente. É o obrigado central do modelo brasileiro — e é justamente isso que o separa do europeu, onde a mesma exigência recai sobre quem fabrica o sistema.
Ver também Resolução CFM nº 2.454/2026 Obrigado
- Instituição
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Hospital, clínica, serviço de saúde. Recebe sobretudo as exigências de governança, que não se cumprem dentro de um consultório.
- Operadora
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Plano de saúde, seguradora, fonte pagadora. Não trata do paciente e mesmo assim decide o que ele recebe — por isso as normas que a obrigam entram no Mapa, ainda que não obriguem nenhum médico.
Ver também Obrigado Revisão de utilização
- Fabricante
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Quem coloca o produto no mercado. É o obrigado central do modelo europeu, que cobra de quem constrói antes de cobrar de quem usa.
Ver também Obrigado
- Desenvolvedor
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Quem constrói o modelo ou o sistema, tenha ou não colocado um produto no mercado. Aparece pouco no Mapa, e quase sempre junto do dever de informar.
- Poder público
-
Órgão público que usa o sistema, e não que o regula. Distingue a regra dirigida ao Estado-usuário da regra dirigida ao Estado-fiscal.
O vocabulário que as normas usam
As palavras que as próprias normas usam, na acepção em que os textos as empregam — que nem sempre é a do mercado.
- Alto risco
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Categoria do regulamento europeu que reúne as obrigações mais pesadas: gestão de risco, documentação técnica, supervisão humana, robustez. Boa parte do software com finalidade médica cai nela.
Ver também AI Act, alto risco — art. 6(1) / Anexo I AI Act, alto risco — art. 6(2) / Anexo III
- Transparência (dever de)
-
No vocabulário europeu, o dever de deixar claro que há um sistema de IA na interação e de marcar conteúdo gerado artificialmente. É obrigação de camada própria, independente do nível de risco do sistema.
Ver também AI Act, art. 50 — transparência
- Literacia em IA
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O termo do regulamento europeu para a competência mínima de quem opera um sistema de IA. É a base do código capacitacao no Mapa.
Ver também AI Act, art. 4 — literacia em IA Capacitação
- Supervisão humana
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O desenho que permite a uma pessoa entender, interromper e contrariar o sistema. Não é sinônimo de decisão humana: supervisão é requisito de projeto do produto, decisão humana é responsabilidade sobre o ato — um sistema pode ser supervisionável e ainda assim ser usado sem que ninguém decida nada.
Ver também Decisão humana
- Software como dispositivo médico (SaMD)
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Software que, por si só, cumpre finalidade médica — diagnosticar, monitorar, predizer, tratar — e por isso é regulado como produto de saúde, não como aplicativo. É a porta pela qual a maior parte da IA clínica entra no controle sanitário.
Ver também Risco e registro
⚠ Definição redigida a partir do uso corrente do termo; ainda não reconferida contra a RDC da ANVISA.
- Revisão de utilização
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O processo pelo qual a operadora decide se autoriza, nega ou limita um procedimento pedido pelo médico. É onde a IA entrou primeiro na saúde americana, e é onde a legislação estadual mais se concentra.
- Determinação de cobertura
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A decisão da operadora sobre pagar ou não pagar por um cuidado. Interessa a este Mapa porque muda o que o paciente recebe, mesmo sem obrigar nenhum profissional.
Ver também Operadora
- Prontuário
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O registro do que foi feito e por quê. Quando uma norma manda registrar o uso de IA nele, o que se cria é rastro auditável — a diferença entre "usei uma ferramenta" e "posso provar como decidi".
Ver também Resolução CFM nº 2.454/2026
- Sistema de apoio à decisão clínica
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Software que sugere, alerta ou pontua para ajudar um profissional a decidir, sem substituí-lo. A categoria é antiga e anterior à IA generativa — o que mudou foi a opacidade de como a sugestão é produzida.
- Conteúdo sintético
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Texto, imagem, áudio ou vídeo gerado por máquina. Em saúde aparece sobretudo em comunicação com paciente e em documentação de consulta, e é o objeto típico do dever de informar.
Ver também Dever de informar
- Explicabilidade
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A capacidade de dizer por que o sistema produziu aquela saída, em termos que a pessoa responsável consiga avaliar. É diferente de transparência: transparência avisa que a máquina participou, explicabilidade justifica o que ela concluiu.
Ver também Transparência (dever de)
- Viés algorítmico
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Erro sistemático que atinge um grupo mais que os outros, quase sempre herdado dos dados de treino. Em saúde é especialmente grave porque os dados históricos registram desigualdade de acesso, e o modelo a reproduz como se fosse fisiologia.
- Alucinação
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Saída fluente, plausível e falsa. O termo é ruim — sugere falha excepcional quando é comportamento esperado de um sistema que estima a próxima palavra — mas é o que se consolidou.
- Especialista
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No Brasil é termo regulado: só quem tem Registro de Qualificação de Especialidade junto ao Conselho pode se apresentar assim. Este site não usa a palavra para descrever a autora — a formação está listada por extenso em /sobre/, com cada curso nomeado e datado.
⚠ Termo regulado pelo CFM. A casa não o usa para descrever a autora.
- IA assistiva e IA autônoma
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Assistiva propõe e uma pessoa decide; autônoma produz o resultado sem revisão humana. É a divisória que quase toda norma usa, e manter o sistema do lado assistivo é exatamente o que o código de decisão humana exige.
Ver também Decisão humana Supervisão humana
- Comissão de IA e Telemedicina
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Colegiado interno que uma instituição institui para responder pelo uso de inteligência artificial nos seus serviços. É a forma que a exigência de governança assume quando deixa de ser política escrita e vira gente com nome.
Ver também Governança Resolução CFM nº 2.454/2026 Instituição
- Dado pessoal sensível
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Na lei brasileira de proteção de dados, a categoria que inclui informação referente à saúde e recebe tratamento mais estrito que o dado comum. Quase todo dado que alimenta IA clínica cai nela.
Como ler uma alegação de desempenho
O que é preciso saber para julgar um número anunciado. Nenhuma norma exige isto: é a parte de que o leitor precisa e que a lei não lhe dá.
- Deriva de modelo
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A perda de desempenho de um sistema ao longo do tempo, quando a realidade muda e ele não. Um modelo validado uma vez não permanece validado, o que torna a monitoração contínua parte do uso e não do lançamento.
Ver também Validação externa Prevalência
- Validação externa
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Testar o sistema em uma população diferente daquela em que foi construído. Sem ela, o desempenho publicado descreve o hospital de origem, não o seu.
- Sensibilidade
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De todas as pessoas que têm a condição, a proporção que o sistema identifica. Responde a uma pergunta só — quantos doentes ele acha — e não diz nada sobre quantos saudáveis ele acusa por engano.
- Especificidade
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De todas as pessoas que não têm a condição, a proporção que o sistema classifica corretamente como negativas. É a metade que a sensibilidade não cobre, e as duas sempre se leem juntas.
Ver também Sensibilidade
- Acurácia
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A proporção total de acertos do sistema. É o número mais divulgado e o mais enganoso: numa condição rara, um sistema que responde "não" a todo mundo acerta quase sempre — e não serve para nada.
Ver também Prevalência Valor preditivo positivo
- Valor preditivo positivo
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Dado que o sistema apontou positivo, a probabilidade de a pessoa de fato ter a condição. É o número que importa no consultório, e o único dos quatro que muda conforme a população examinada.
Ver também Prevalência Sensibilidade
- Prevalência
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Quantas pessoas têm a condição na população examinada. É a variável que o fabricante não controla e que reduz o valor preditivo positivo quando o sistema sai do hospital onde foi construído para um de perfil diferente.
Ver também Valor preditivo positivo Validação externa
As definições são escritas para este site, a partir do texto das normas que o Mapa Regulatório acompanha e do uso corrente na literatura clínica. Não são tradução de glossário de terceiro e não substituem o texto legal: onde a diferença entre a definição e a norma importar, vale a norma, e o caminho até ela está na linha do Mapa.
As famílias Os seis tipos de exigência e Quem é obrigado são fechadas: todo código de obrigação e todo papel que o Mapa usa tem verbete aqui, e a falta interrompe a publicação do site. É a mesma proteção que impede uma linha do Mapa de ir ao ar sem fonte.